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A criança deve ser sempre feliz?

A criança deve ser sempre feliz?
Não pode ter nenhuma frustração?

Se A Criança Não é Treinada A Esperar, A Criar, A Negociar, A Ceder e A Se Frustrar, Está-se Aleijando A Criança.

A sociedade em que vivemos promove e busca, em primeiro lugar, a satisfação, o prazer, o bem estar e deve ser por isso que muitos pais querem que seus filhos sejam felizes à viva força. Procuram a ajuda de psicólogos e terapeutas com o intuito de proporcionarem a seus filhos a felicidade…

Mas será que essa “felicidade” baseada no simples prazer imediato, na satisfação de todos os desejos e ambições torna as crianças felizes? Ou será que os pais de hoje, na procura desenfreada de tornar os filhos felizes, acabam ferindo emocionalmente essas crianças, pois sem o contato com a frustração elas aprendem  unicamente a conseguirem sempre tudo o que querem de imediato. E será que, pela vida fora, elas vão sempre conseguir tudo o que desejam e ambicionam, sem nunca terem qualquer deceção ou frustração?

O psicoterapeuta Leo Fraiman, especialista em psicologia educacional revela-nos importantes contribuições acerca de como educarmos nossos filhos para a autonomia crítica e não os aleijarmos emocionalmente em nome do que chamamos da “felicidade de nunca deixá-los frustrados”.

A verdade é que segundo o especialista em nome de se querer dar a tal felicidade, acaba-se criando a desgraça da criança e de todos os que convivem com ela. A criança torna-se exigente, malcriada, intransigente, insatisfeita, birrenta, ansiosa, neurótica, porque sempre vai exigir mais e mais e magoa-se emocionalmente quando não é possível satisfazer as suas exigências. Sem o contato com a frustração elas aprendem que exigindo e fazendo birras sempre conseguem o que querem.

Faz parte da educação da criança e da construção de um ser humano, ensinar a criança a lidar não só com a felicidade, mas também com a infelicidade e com as impossibilidades da vida. Não se conhece o valor daquilo que nunca nos faltou. A perda ou a carência fazem parte da vida. Atender caprichos não é uma boa solução, é ensinar a criança a ser egoísta, é procurar o meio mais fácil de permanecer na zona de conforto. Diz ainda o especialista: “Ás vezes por querer compensar suas próprias negligências como pai ou mãe, molda-se um ser que será um adulto atrofiado emocionalmente:

“Se a criança não é treinada a esperar, a criar, a negociar, a ceder e a se frustrar, você está aleijando emocionalmente a criança. É como fazê-la andar com uma perna amarrada. A criança ficará chata, birrenta, gastadeira, neurótica, depressiva e provavelmente drogada, porque ela precisará de outra coisa para acalmá-la porque ela não desenvolveu a autonomia, ela não manda de dentro para fora no seu mundo, ela precisa do outro”Leo Fraiman

Muitas destas crianças assim educadas podem necessitar de terapia para reaprenderem a viver, para aceitarem a lei da vida, a lei da dualidade.  Todos aceitámos vir viver a este planeta para podermos crescer e evoluir e aí é que encontramos a verdadeira felicidade: no equilíbrio, na aceitação e na paz interior de vencermos dificuldades e barreiras.

Os grandes homens e mulheres da história da humanidade não tiveram só um mar de rosas em suas vidas… eles tiveram que lidar, muitas vezes, com frustrações e com grandes desafios. Como afirmou Cícero:

“Quanto maiores são as dificuldades a vencer, maior será a satisfação”Cícero

Os pais têm que saber dizer “não” em muitas situações e perceber que se a criança fica frustrada, isso é bom para ela aprender a saber lidar com os desafios da vida. É superando essas dificuldades que emocionalmente ficam mais fortes e um dia poderão dizer que seus pais as ensinaram a ser felizes e tranquilas.

 


Fonte: Portal Raizes
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