Alternativas à carne
Anteriormente falámos já sobre o vegetarianismo como uma opção
válida e consciente, cujos argumentos são o respeita pelas
animais, a preservação do meio ambiente, a saúde humana e a
eficiência económica.
No que se refere ao ponto de vista da saúde, os argumentos
do vegetarianismo são muito fortes. Grande parte das denominadas
doenças da civilização, como o cancro, as doenças
cardiovasculares, a obesidade e problemas intestinais estão
directamente ligadas à alimentação, nomeadamente a dietas ricas
em açúcar refinado, gorduras, sal e baixos níveis de fibras.
Desde o século passado que se realizam estudos entre as
dietas dos povos asiáticos (com baixos níveis de gorduras) e as
dietas dos povos ocidentais (mais ricas em gorduras e pobres em
fibras), havendo uma relação directa entre os hábitos
alimentares destes últimos e as doenças cardiovasculares. Uma
dieta vegetariana substitui as gorduras animais por gorduras
vegetais e diminui a ingestão total de gorduras, visto que
normalmente estas provêm da carne e dos produtos lácteos. A
ingestão de cereais, leguminosas vegetais e frutos garante o
aporte apropriado de fibras e, ao consumir alimentos integrais
conseguem evitar-se elevados níveis de sal e açúcar contidos em
muitos alimentos transformados e refinados.
Estes
argumentos são importantes e, mesmo que não pretenda ser
vegetariano a tempo inteiro, se incluir algumas refeições sem
proteínas nem gorduras animais na ementa semanal, vai decerto
ficar surpreendido e, a sua saúde agradece! Porém, parece ainda
existir alguma relutância na prática da alimentação vegetariana.
Existe também a ideia errada de que os vegetarianos comem sempre
a mesma coisa, o que não é de todo verdade, pois a ementa
vegetariana é variadíssima, havendo opções gourmets para os mais
exigentes e até para ocasiões especiais e festivas.
De início, a preparação de refeições vegetarianas pode
parecer invulgar, mas os mais cépticos ficarão espantados com a
variedade de pratos saborosos que se podem obter. Já todos
ouvimos falar nas alternativas à carne e ao peixe, como a soja e
os seus derivados (o tofu ou o tempeh) e o seitan, Mas como
preparar uma refeição saborosa e apelativa? Será que estas
alternativas se preparam da mesma forma que outros alimentos? Ou
existem alguns segredos? Vamos tentar responder a estas
questões, deixando aqui algumas linhas orientadoras para começar
a preparar as suas refeições vegetarianas. O resto depende da
sua imaginação...
Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que nem só os
alimentos de origem animal podem fornecer proteínas, pois grande
parte dos alimentos vegetais também contêm algumas. A diferença
reside no facto de que na carne as proteínas são completas, ou
seja, com todos os aminoácidos essenciais. Porém, o nosso
organismo consegue combinar os aminoácidos provenientes de
diferentes alimentos para produzir proteínas completas. Assim,
através de uma alimentação vegetariana não é difícil obter
proteínas completas, bastando para tal fazer uma dieta variada.
Por outro lado, como já foi referido, uma alimentação à base de
carne fornece excesso de proteínas e gorduras saturadas
originando uma maior propensão de doenças (doenças
cardiovasculares, colesterol elevado, etc), pelo que a
alimentação vegetariana pode ser mais saudável. Importa, então,
conhecer o valor nutricional de vegetais, frutas, leguminosas e
cereais para obter os nutrientes necessários, incluindo as
proteínas.
A Soja
E, sem dúvida, um dos ingredientes mais utilizados para
substituir a carne, Esta leguminosa é considerada um alimento
completo por a ser rica em proteínas e fornece todos os
aminoácidos essenciais. E também rica em minerais como o
potássio, o cálcio, o magnésio, o fósforo, o enxofre e o cloro,
em vitaminas como a A, BI, B2, PP e K. A soja contém ainda
nutrientes importantes como a lecitina e as isoflavonas.
O grão de soja pode ser preparado à semelhança do feijão
branco, por exemplo. E os rebentos de soja podem ser consumidos
crus (saladas), cozidos ou estufados. Poderá facilmente
encontrar proteína de soja texturizada granulada (pedaços finos
ou grossos) ou até sob a forma de bifes. Pode, por exemplo
confeccionar um esparguete à bolonhesa com proteína de soja.
Basta seguir as indicações de preparação no rótulo (normalmente
é necessário colocar de molho e escorrer bem) e depois fazer a
receita como habitualmente, bastando substituir a carne picada
pela proteína de soja.
| |
|
|
| |
Sugestão para marinar Tofu ou Seitan:
|
|
| |
Cortar em fatias ou pedaços e deixar marinar 15
minutos em:
-
alho picado (4 dentes de alho)
-
1 colher de sopa de azeite
-
2 colheres de molho de soja
-
salsa, coentros ou outras ervas aromáticas
Depois é só grelhar, estufar ou panar. Se grelhar,
aproveite a marinada aquecida e sirva com o tofu ou
o seitan.
Escorra bem antes de panar.
|
|
| |
|
|
O Tofu
Originário da China e do Japão, é feito a partir dos grãos de
soja demolhados, moídos, cozinhados em água e escorridos. Deste
processo extrai-se a bebida de soja que é coagulada através da
adição de minerais naturais como o cloreto de magnésio ou o
sulfato de cálcio. Originalmente, o agente de coagulação usado
era o nigari, um componente extraído da água do mar. Embora
quando confeccionado de forma caseira seja possível usar sumo de
limão ou vinagre. Após efectuada a coagulação, obtém-se o tofu
que é depois modelado, geralmente em pequenos cubos e
empacotado.
Trata-se de um alimento de elevado valor proteico, de origem
vegetal, que contém os oito aminoácidos essenciais, bem como
vitaminas e minerais, sem colesterol e que substitui a carne, o
peixe, os ovos ou derivados lácteos. E muito versátil, podendo
ser marinado, guisado, grelhado, salteado, assado, frito, batido
em molhos e recheios, acrescentado a sopas e até doces. Existem
vários tipos de tofu que se utilizam de acordo com a preparação
culinária pretendida.
Podemos encontrar tofu com um aspecto mais sólido: versátil
e adequado a praticamente todas as receitas culinárias. Este
deve ser bem escorrido, marinado e temperado pois adquire
facilmente todos os sabores. Existe ainda tofu com uma
consistência mais suave, adequado para fazer pastas para barrar
ou molhos.
Normalmente o tofu é refrigerado, imerso em água e
manter-se-á fresco no frigorífico durante alguns dias, devendo a
água ser mudada diariamente.
Existem já variedades de tofu, ultrapasteurizadas ou
desidratadas com validade mais extensa. Outra possibilidade é
ainda congelar o tofu e utilizá-lo posteriormente, sendo que o
seu aspecto e textura são alterados.
O Tempeh
E outro produto derivado da soja, originário da China e do
Japão. Na produção do tempeh, os grãos de soja são descascados,
demolhados e cozidos, sendo em seguida arrefecidos e inoculados
com um fungo (Rhizopus oligosporus) que fermenta o preparado. Os
grãos de soja ficam aglutinados e após 24h numa incubadora, esta
pasta fermentada chamada tempeh, está pronta a consumir. De
valor nutricional inestimável, substitui as proteínas animais e
não tem gorduras saturadas nem colesterol. Com uma textura
elástica, pode ser grelhado, frito ou estufado.
O Seitan
Também é originário da China e do Japão e obtém-se da farinha
integral de trigo à qual se adiciona água e se amassa à
semelhança da preparação do pão. Após repousar num recipiente
com água durante algum tempo, a massa é lavada em água corrente
para que se elimine o amido e fique apenas o glúten (parte
proteica). Esta massa mais dura e elástica é depois cozida em
água, com tamari (molho de soja), raiz de gengibre e alga kombu.
Do ponto de vista nutritivo, o seitan fornece algumas proteínas,
é de fácil digestão, não tem colesterol e tem menos calorias que
a carne.
É um óptimo substituto desta e até no aspecto e textura lhe
é semelhante. Absorve muito bem o sabor dos alimentos e dos
temperos com os quais é cozinhado, podendo ser cozido, estufado,
guisado ou frito. Pode guardar-se no frigorífico num frasco com
o caldo ou então congelá-lo. Como o seitan é o glúten de trigo
não deve consumido por celíacos.
Existe também uma grande variedade de salsichas,
hambúrgueres, panados, bifes, entre outros, à base destes
ingredientes, cuja preparação é fácil e rápida, bastando em
alguns casos, aquecer numa frigideira ou microondas. Na
confecção de receitas vegetarianas pode ainda recorrer a outros
derivados da soja, nomeadamente as bebidas (leite), os iogurtes
ou as natas de soja.
Os temperos são muito importantes na elaboração dos pratos
vegetarianos. Assim, entre muitos destacamos: o shoyu (molho de
soja fermentado naturalmente, feito à base de soja com cevada ou
trigo); o miso (pasta obtida da fermentação da soja); o tamari
(obtido do fabrico de miso); e o gomásio (sementes de sésamo
torradas moídas com sal). Não se esqueça também da preciosa e
imprescindível ajuda das inúmeras especiarias e ervas
aromáticas.
Os Cereais
Inclua-os na sua alimentação (de preferência integrais e todos
eles ricos em diferentes nutrientes): arroz, arroz selvagem,
trigo-sarraceno, gérmen de trigo, trigo kamut, aveia, cevada,
milho, milho painço, polenta, bulgur, amaranto ou quinoa. Após
cozidos (na panela de pressão, por exemplo) são excelentes
acompanhamentos. Podem ser usados para fazer croquetes, pastéis
ou na confecção de doces, entre outras inúmeras preparações.
As Leguminosas
Além de versáteis são bastante nutritivas. Apesar de nenhuma ser
tão rica quanto a soja, o feijão, o grão, as ervilhas ou as
lentilhas assumem um papel de destaque na dieta vegetariana. No
que respeita à preparação, é necessário demolhá-las antes de
serem cozidas. Experimente adicionar ervas aromáticas ou
especiarias à cozedura e verá que, para além de mais saborosas,
serão digeridas mais facilmente. Para além de acompanhamentos,
pode adicioná-las a sopas, saladas, etc.
As Algas
Os vegetais marinhos são também uma opção, por serem ricas em
proteínas, minerais e vitaminas (nomeadamente B12). Para além de
versáteis são muitas as variedades: wakame, dulse, arame, kombu,
nori, entre outras.
A sua preparação difere, podendo ser necessário serem
demolhadas, fervidas, escaldas ou tostadas dependendo da
variedade. Quanto à utilização podem ser incorporadas em
empadas, quiches, gratinadas, etc.
Os Frutos Secos e Sementes
São também um grupo de alimentos extremamente rico em proteínas,
vitaminas e minerais que pode ser incorporado numa dieta
vegetariana, enriquecendo-a. Como sugestão, adicione nozes a uma
salada ou prefira snacks saudáveis como sementes de girassol ou
de abóbora (sem sal).
Com tantas alternativas interessantes, não será, com certeza,
difícil substituir as proteínas e as gorduras de origem animal.
E, como um dos aspectos mais importantes de uma alimentação
saudável é a variedade, não poderá queixar-se da falta de
opções...
Se sentir algumas dificuldades ao início, os
livros sobre a dieta vegetariana podem revelar-se úteis.
Artigo reproduzido de "Diet Magazine"
de Diet Import (www.dietimport.pt)
com autorização.
Veja os artigos:
|